15 novembro, 2005

POESIAS SECAS

"Nessa noite, os pontos de fuga não sincronizavam,
Todas as direções teimavam em rumos opostos à minha vontade,
de tal forma radicais que não me restou outra opção
á não ser ir dormir..."

"...and at the end of the night, the witch said:
- 'it's everything alright, if you have money to pay the price!"

"Quando o homem criou Deus, ele o fez à sua imagem e semelhança, não só fisicamente, mas também tirânico e fascista..."

ClicK-n∆s-Im∆geNs p∂r∂ ∆∑PLi∆-L∆S


Young me


Meu Eu de Fora

UM LOBO NAO DESISTE



Diana Caçadora escreveu para mim:

Um lobo não desiste
Do que é importante
Do que deseja tão forte
Que a noite, o seu coração não dorme

Inventa mil formas
Para atingir seu objetivo
É assim que se descobre lobo
Não desistindo da vida

Se quer a lua
Ou a mulher mais bela nua
Ora se mostra, ora se esconde

Ora uiva, ora faz um verso
E sonha com o lado claro e o negro
Da mulher que viu ontem




minha resposta:

As palavras da caçadora
são como uivos para mim,
me atraem, me excitam, me surpreendem,
e como a lua cheia,
me torna sensível ao prazer
me toca a pele, me faz arrepiar
e surge em meu interior
aquela vontade incontrolável de te atacar
com unhas e dentes,
com língua e membro,
te lamber e chupar como uma fruta suculenta,
te invadir como uma lança potente
até atingir tua alma tântrica
evocando um prazer sem fim;
arrepios da sua pele roçando meus pelos,
uivos em uníssono prá lua cheia
orgasmo sem fim um dentro do outro...

VAMPIRA



Diana Caçadora respondeu:

Eu,
Objeto de desejos contidos,
Fruto suculento instigando furores libidinosos.
Eu, animal.
Eu, instinto.
Eu...fatal.
Aparentemente bela,
Superficialmente frágil,
Tal qual um frasco de veneno
Que, quebrando, esvai-se pelos solos, tornando-os inférteis,
E, se ingerido,
Torna-se sem solução.
Veneno do qual vários seres imploram antídoto.
Porém, um mórbido prazer me faz negá-lo.
E a crueldade em mim presente torna-me irresistível a incansáveis seguidores masoquistas.
Súditos suplicando migalhas do meu amor,
As quais prefiro lançar aos ventos, aos mares,
À Natureza, alcova dos meus segredos,
Que a mim empresta os seus mistérios,
E me faz encantadora sugadora de energias
A seu serviço,
A serviço da bola incandescente.
Do início do Universo,
Do ápice da existência.
Eu, energia...Eu, bela...Eu, fatal...
Arrasando corpos e colecionando almas,
À procura do encontro supremo,
O encontro com a minha própria existência...
bjs com manchinhas vermelinhas de rubéola,


Minha resposta:

DESEJO TESO,
CHICOTE DE CARNE
CHEIO DE SANGUE
PRONTO PARA BATER SOCAR PULSAR
TE ENCHER DE DOR
A DOR DO PRAZER
ENTERRADO ATÉ O FIM
DO VULCÃO DA LÍNGUA DA GARGANTA

ALCANÇAR TEU ORGASMO
E TIRA-LO DA TOCA
INTOCÁVEL CARNE PROFUNDA
QUENTE ÚMIDA INCHADA
GULOSA SENSAÇÃO DE FOME SEM FIM
VAMPIRA DE MEU TESÃO
SUGANDO MINHA VEIA TESA
CHEIA DE SANGUE
PRONTA PRÁ TE ALIMENTAR
DO MAIS PURO DELEITE
TE ENCHER A BOCA A GRUTA
O GRELO O BURACO DO DESEJO
REGAR TUA HORTA
ESPORRAR TUA PORTA
DEITAR SOBRE VOCÊ
TE COBRIR TODA DE CARINHO
E LAMBIDAS SEM FIM
ATÉ TE ENCONTRAR,
LÍNGUA SEDENTA DE OUTRAS LÍNGUAS
DE OUTROS LÍQUIDOS
CHEIOS DE PRAZER E LÚXURIA.
ME ENCONTRE ENTÃO
AO FIM DO DIA
PRÁ CONTINUAR ESSA ORGIA
ENTRE NOSSAS PELES,
NOSSOS CABELOS CORPOS MENTES
E SEXO DESEJOS SEXO TESÃO SEXO…
GULA SEXO VORAZ…

04 novembro, 2005

Every Night



The night comes up!!!
And the bat fly...
And the moon arise
And your eyes comes to me
Like fire...

26 outubro, 2005

Viajantes

Os verdadeiros viajantes são aqueles
que partem por partir.
Coração leve, como um balão.
Da fatalidade nunca se desviam e,
sem saber bem o porquê,
dizem sempre: Vamos!

Baudelaire

Cristo Maravilhoso!!!

(autor desconhecido)

Sem Palavras...

KØRPVS S∆NCTVS







.......E OS ANJOS NUNCA DIZEM NÃO.......


17 outubro, 2005

Eu sou um homem fechado

Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoista e mau.
E a minha poesia é um vício triste, desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.

Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos...

E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender
nada, numa alegria atônita...

A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos.

* "E de repente ele sentiu que podia ter amigos,
quem sabe até se apaixonasse,
mesmo que em silêncio;
ele sabia que poderia ficar ali,
espreitando a doce colheita de sua alma encantada..."

Mário Quintana & Eu (*)

07 outubro, 2005

Noites calmas, noites intensas...



Mais uma noite daquelas, em que a alma sai do corpo e vai buscar sua identidade,
não se sabe onde, o que ela procura, o que ela encontra,
mas quando volta, parece que renascemos com toda a força e magia
de uma infância feliz e plena...















Olhamos para o dia que nasce lentamente com um olhar
de quem sente o tempo e a natureza escorrer por entre os dedos,
pela pele, pelos cabelos, pelos olhos e pelo espírito,
como amantes que se entregam aos carinhos mais suaves
depois de uma noite cheia de amores e paixões intensas...


Mulheres... Mulheres... Mulheres...

Mulheres livres

Mulheres guerreiras

Mulheres misteriosas

Mulheres parceiras

Mulheres que riem

Mulheres que choram

Mulheres generosas

Mulheres que amam

Mulheres sensuais

Mulheres egoístas

Mulheres geniais


Todas as mulheres são iguais
e tão diferentes entre sí,
que o segredo não está em desvenda-las,
mas se tornar cúmplice de seus segredos,
para que, aquela que você escolher
para ser sua parceira,
saiba que está ao lado de alguém que a desnuda,
não só fisícamente,
mas que torna sua alma livre das amarras,
acondicionadas pelos séculos
de repressão e equívocos,
impostos por aqueles que tinham temor insano
de sua força e magia naturais...

O que as mulheres mais desejam
é serem tão felizes e independentes quanto nós,
e todos temos á ganhar com isso,
seja em companherismo, em aliadas, parceiras e amantes...

O tempo vai provar isso,
pois esse é um processo que não tem mais volta,
felizmente...






esse É o noMe dO Autor

01 setembro, 2005

Da Vez Primeira Em Que Me Assassinaram

Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois, de cada vez que me mataram
Foram levando qualquer coisa minha...

E hoje, dos meus cadáveres, eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada...
Ande um toco de vela, amarelada...
Como o único bem que me ficou!

Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah! Desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!

Aves da Noite! Asas do Horror! Voejais!
Que luz, tremula e triste como um ai,
A luz do morto não se apaga nunca!

Mario Quintana

10 agosto, 2005

"Mostrem-me algo novo, que começarei tudo outra vez" - Erik Satie

Declama, Wally!

Eu faço versos
Como quem chora
De desalento
De desencanto
Fecho o meu livro
Se por agora
Não tens motivo
Nenhum de pranto

Meu verso é sangue
Volúpia ardente
Tristeza esparsa
Remorso vão
Dói-me nas veias
Amargo e quente
Cai gota
A gota
Do coração

E nestes versos
De angústia rouca
Assim dos lábios
A vida corre
Deixando um acre
Sabor na boca
Eu faço versos
Como quem morre

autor: Wally Salomão
coletado em uma de suas comunidades do Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1812395
visite tb a outra: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1284099

06 agosto, 2005

POESIAS & OUTRAS PALAVRAS...

Hoje, nesse momento, estou com os neurônios lerdos, preguiçosos, mas não gostaria de deixar passar mais um fim-de-semana sem postar nada, então estarei usando o talento de outras pessoas para depositar aqui nesse espaço um pouco mais da beleza humana que se manifesta através da arte; nesse caso, a arte de transformar sentimentos puros, intensos, sutis, indignados ou racionais em palavras envolventes, sábias e/ou emocionantes. Até uma constatação de John Lennon, daquelas bem óbvias e datadas, mas que ainda se aplica ao que está ocorrendo no mundo atual usei no tópico abaixo. Hoje só iria postar isso, mas aí achei que seria preguiça demais, então parti para a cara-de-pau total e abusei mesmo do verbo alheio...

Também sei que as vezes publico algumas coisas que podem parecer piegas, mas existem sentimentos que, desnudos, parecem tão infantis quanto a mais pura utopia que o ser humano há muito já se esqueceu. Então, ao ir correndo o cursor palavras abaixo, desnude-se também de pré-conceitos que possam embotar a mente e bloquear o livre-fluxo e o livre-arbítrio da alma e se entregue ao seu lado sensívelmente piegas...

Quero agradecer às pessoas que não sabem que me permiti copiar esses escritos abaixo, prometendo que na semana que vem eu coloco a fonte, pois no momento simplesmente estou captando-as do arquivo disperso do compter, onde as depositei aleatóriamente, sem anotar as fontes, e colando-as aqui...

Se os autores que deixaram essas palavras em algum blog, no perfil ou em algum scrap do Orkut, favor registrar sua reclamação na área dos comentários que depois anoto no rodapé do texto especificado...



"A vida é como uma estrela cadente, não importa quem você é, se apenas buscar por proteção somente desperdiçará seu tempo.” ( Live, The Dolphin's Cry)

"Depois de algum tempo, aprendemos a diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
Aprendemos que amar não significa apoiar-se e que companhia nem sempre significa segurança.
Aprendemos que beijos não são contratos nem promessas.
Que é possível fazer coisas em um instante das quais nos arrependeremos pelo resto de nossas vidas.
Que não importa o quanto a gente se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam.
Passamos a aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante.
Descobrimos que só porque alguém não nos ama do jeito que queremos,
não significa que esse alguém não nos ame com tudo o que pode.
Aprendemos que o tempo não volta.
E que realmente podemos suportar."


(o texto abaixo apresenta o perfil, no Orkut, da minha amiga mais que amiga, paixão que nasceu no ano passado para uma vida inteira, Larissa Frota, de João Pessoa que, como lerão em outro tópico mais abaixo, postado na quarta-feira, também contribuiu com outro texto maravilhoso e suavemente intenso, o "Amigo Aprendiz").

"Olhe bem para esses olhos... o que você vê?"


"Eu sou pau pra toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Minha força não é bruta
Não sou freira nem sou puta
Não sou uma brasileira que é só bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem
Eu não nasci pra sofrer
Cara feia pra mim é fome
E eu não faço manha pra comer
A vida é como uma escola
E a morte é o vestibular
No inferno eu entro sem cola
Mas o céu eu vou ter que descolar
Mas quando alguém precisa de um carinho meu
Não há nada que me prenda
Mas se eu sentir que um bicho me mordeu
Sou mais ardida que pimenta!
No fundo eu sou otimista
Mas às vezes imagino o pior
Me cansa essa vida de artista
Mas cada vez o prazer é maior."

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04 agosto, 2005

UMA ORAÇÃO

Recuse-se a cair.
Se não puder se recusar a cair,
recuse-se a ficar no chão.
Se não puder se recusar a ficar no chão,
eleve o coração aos céus
e, como um mendigo faminto,
peça que o encham,
e ele será cheio.
Podem empurrá-lo para baixo.
Podem impedi-lo de se levantar.
Mas ninguém pode impedi-lo
de elevar seu coração
aos céus -
só você.
É no meio da aflição
que tantas coisas ficam claras.
Quem diz que nada de bom
resultou disso
ainda não está escutando.

Clarissa Pinkola Estés

Copiado do blog
http://correndocomlobos.weblogger.terra.com.br

03 agosto, 2005

O Eu Profundo

Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver,
acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao
mundo e maior amor ao coração dos homens."

(Fernando Pessoa, em "O Eu Profundo")

te quero inteira



Venha aqui que eu te quero inteira,
Quero sussurrar palavras vagabundas em seus ouvidos,
Ofegar as emoções perdidas em nossas vidas
cheias de sensações baratas,
cheias de aventuras secretas.
Perdidos nos labirintos de nossos sentimentos vãos,
suados em embates animalescos
dissolvidos em extâses sem fim
universo afora…



Você pensa que te perdi,
mas está enganada,
porque a única perdedora aqui é a vida,
que deixou de possuir os gemidos mais vigorosos,
a energia mais intensa e pura
que duas pessoas possam criar
a partir do encontro de dois corpos;



quando duas almas se desnudam
e se expõem totalmente,
inteiras, sem defesas,
prontas para o ritual mais grandioso
que duas pessoas possam criar,
que é unir suas essências
em corpos separados,
desafiando a matemática e a física,
provando que 1+1 é igual á 1
e que dois corpos podem sim,
ocupar o mesmo espaço;

porque sentimento como o nosso
é tão raro quanto o ar puro,
a água cristalina, limpa, deliciosa
e a visão real de anjos na terra…
















[{as imagens usadas nesse tópico - e milhões de outras - podem ser encontradas no site www.allposters.com}]

Amigo Aprendiz


Essa poesia, que acho maravilhosa e sempre me encanta quando a leio, está no meu perfil no Orkut e foi postada no testemonial pela minha amiga e mais recente paixão (de amigos, claro!), Larissa Frota, essa beleza suave que ilustra a própria. As palavras e a composição dos versos descrevem a amizade perfeita, aquela que permite um equilibrio entre todas as coisas boas que une duas pessoas que se gostam muito, como é o nosso caso.

Quero ser teu amigo
Nem demais e nem de menos
Nem tão longe e nem tão perto
Na medida mais precisa que eu puder
Mas amar-te como próximo, sem medida,
E ficar sempre em tua vida
Da maneira mais discreta que eu souber
Sem tirar-te a liberdade
Sem jamais te sufocar

Sem forçar a tua vontade
Sem falar quando for a hora de calar
E sem calar quando for a hora de falar
Nem ausente nem presente por demais,
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo,
Mas confesso,
É tão difícil aprender,
Por isso, eu te peço paciência
Vou encher este teu rosto
De alegrias, lembranças!
Dê-me tempo
De acertar nossas distâncias!

perfil de Larissa Frota no Orkut: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=3906613794832615561

meu perfil no Orkut: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=11337613903806017139

12 julho, 2005

“Paixões”


''Amar, ao que parece, significa alienar-se, drogar-se, perder-se, buscar o inatingível, desprezar o possível. E esse comportamento manifestamente patológico deve corresponder a uma necessidade muito básica e profunda do ser humano, porque podemos reconhecer-nos nos sentimentos dos troianos de 3 mil anos atrás ou dos trovadores do século XII''

Do livro “Paixões” de Rosa Montero

11 julho, 2005

tempo, tempo, tempo....



Olá pessoal,
desculpe a falta de atualização, mas estou com o tempo totalmente tomado por outras coisas
de vital importância para a minha sobrevivência, mas isso não quer dizer que vou parar com meu prazer. Assim que for possível, retorno com a magia das palavras e das imagens que elas criam...


bjs prás minas, abs pros manos...

imagens de Roy Lichtenstein

28 junho, 2005

Noites calmas



Sou um caminhante noturno,
como os lobos de pradarias urbanas
como os nômades das estepes,
passeio
por entre palavras soltas no universo,
e paro,
farejo,
e vou ficando;
quando a paisagem me agrada,
me aconchego,
me alimento
e descanso por entre os sons
que essas palavras criam,

me inebrio
no prazer do acalanto
das vozes sussurantes
que ecoam e se espalham no ar
como o vento por entre as folhas,
criando uma trilha sonora envolvente,
criando um ambiente sedutor
como a luz da lua cheia que invade esse mundo,
iluminando meus olhos,
que estão suspensos,
fixos na fonte dessa luz...
uivo,
num dueto com suas palavras
que ecoam na nossa noite...
e já descansado,
caminho ao seu lado,
rumo ao nosso destino,
quem se importa?
eu também não sei qual é...

Postado por mim nos comentários do blog
http://correndocomlobos.weblogger.terra.com.br/

A quem carrega os lobos na alma






Aos homens e mulheres
que carregam o lobo no nome
e também no sangue e na alma,
que uivam para a lua cheia,
para as suas paixões,
para os seus vazios
e sua solidão noturna;
que em meio à matilha de seus instintos,
e no poder de sua invisibilidade
no meio das multidões,
sente a divindade selvagem que nos toma o âmago
e nos enleva ao prazer único
de sermos nós mesmos,
tão diferentes de todos,
tão distantes de todos,
no entanto, com o olhar aguçado que á tudo pode ver,
com a alma sensível como radar,
que a tudo sente,
e carrega no ventre
a força da vida,
que explode sempre,
principalmente quando nos vemos sózinhos,
longe dos olhares estranhos,
que buscam os nossos
em busca do brilho de nossa alma...

Postado por mim nos comentários do blog
http://correndocomlobos.weblogger.terra.com.br/

16 junho, 2005

“Mas as pessoas nem sempre agem do mesmo jeito. São boas num minuto e más no minuto seguinte. Cometem erros. Gente boa faz coisa ruim.”

Paul Auster - Noite do Oráculo

minha sensibilidade

minha sensibilidade
não é lata de lixo não
nem espremedor de laranjas
a triturar frutas sem parar
nem alvo para testes de pontaria
para dardos venenosos
que sua maldade decide atirar,
tampouco sou bagaço de laranja
que você pode cuspir fora
quando não mais consegue
caldo dela tirar,
nem sou esgoto
pronto para receber
tudo o que você não consegue digerir
sem ao menos descarga querer dar,
não sou saco de pancada
para seus treinos de boxeadora
para quando sua raiva
e suas neuroses
você quiser extravazar...
não jogue prá cima de mim
tudo aquilo que não consegue entender
tua fúria, teu ciúme inconsciente;
por não saber trabalhar
suas dúvidas, seus temores
ou por não poder ter
tudo aquilo que quer...

minha sensibilidade é simples
não gosta de barulho
mas gosta de dançar
é simples
e volta e meia
se perde no filme invisível
que você teima em passar
com legendas truncadas
linguagem confusa
e edição enlouquecida

minha sensibilidade
é uma interrogação
neste deserto de absurdas afirmações
não é nada
do que se possa esperar
é simples
e quer aumentar...

(trabalhada em cima do original de Jorge Salomão,
com o mesmo título e usando alguns trechos de sua autoria
(em negrito), tomada emprestada do livro "MOSAICAL" -
Editora Gryphus, 1994, pag 2.

15 junho, 2005

Fechando o Tempo...

Hoje mais uma noite se completa no seu inicio...
Busquei mais intensamente as emoções dentro de mim e as encontrei do lado de fora, expostas em dois blogs que me encantaram, principalmente porque são de duas mulheres, intensas e suaves como só elas conseguem ser, sendo que uma delas é selvagem como uma loba faminta de alma humana. Minha admiração pelas duas foi instantânea, paixão às primeiras palavras, emoções em turbilhonamento constante, paisagens de almas desnudas, expostas á quem tivesse sensibilidade para sentir que, ali, além de mulheres, vivem dois seres humanos maravilhosos, corajosos e fascinantes...
O primeiro que passeei foi WWW.ESTRELACORDETERRA.ZIP.NET – blog da atriz Ana Terra Freire – sentimentos, emoções, palavras soltas no espaço e poesias se formando com elas; e o segundo foi http://correndocomlobos.weblogger.terra.com.br/ - escrito por Layla, onde me aconcheguei e fui envolvido com o carinho, a lucidez e a coragem de suas palavras...

31 maio, 2005

olhando a lua

Essa poesia escrevi durante o carnaval de 2004, quando percebi que o meu relacionamento com uma mulher incrível estava sendo diluído pela distância e pela própria vontade dela, ao se afastar de mim lenta e inexorávelmente.
A decepção, a dor e a consciência de que o fim seria inevitável me fez sentir simultâneamente a impotência perante o fato já consumado e a fúria de querer lutar contra algo que não era palpável nem visível, mas somente emoções que não tinha como controlar ou tentar ao menos administrar, o que me levou á dar vazão a um espírito urbano selvagem e agressivo, que reconheço, me supreendeu e até assustou um pouco, devido ao tom beligerante e sem limites com que me expressei, mas eu gostei do resultado final, pois descreveu exatamente o que estava sentindo em relação ás pessoas como um todo, em todo seu potencial meio idiota e insensível de ser em suas relações...



olhando a lua
ladre...
como um cão vira-latas
grite ao léu
seus pecados, seus medos, seus defeitos
bata com a cabeça
na parede
no muro
manche-os com seu sangue
vermelho escarlate
quente, cheio de vida
ainda pulsando fogo e paixão

bata
cabeça com cabeça
em seus inimigos
faça-os sentir
que você está vivo e furioso
olho por olho
dente por dente
mostre-lhes
que o mar
não está prá peixe
até tubarão
se esconde

acorde para a realidade
esqueça as ilusões
que você mesmo cria
saia desse mundinho
civilizado demais
nobre demais
que mais parece
um conto infantil

esmurre a vida
quantas vezes for necessário
para que ela te dê
aquilo que você quer

jogue pedras
insulte violentamente
ignore
amaldiçoe
vomite aos borbotões
sua indiferença
em quem te magoa

não deseje o mesmo
deseje mais
em dobro
multiplique ao infinito
tudo o que de ruim
te desejarem
te fazerem sofrer

ser legal com as pessoas
é uma virtude
que elas não desejam;
não suportam,
sentem asco perante um sorriso
generoso, sincero.
ser mau
é que é legal,
dá prestígio
te procuram sempre
prá levar mais porrada
porque isso faz com que elas
se sintam miseráveis
vulneráveis,
mais vivas
escravas da própria dor,
que queima como brasa viva
levando-as a um orgasmo doentio,
alimentando profundamente
uma auto-piedade
que elas não querem perder
jamais…

fique quieto...
ouça o seu silêncio...
cala a tua voz...
fique parado
olhando o mar
deixando-o tocar
violentamente
friamente
seus pés
na maré alta
na maré baixa

você não precisa de ninguém
nem de você mesmo
o vazio te basta
prá tantas desilusões,
te alimenta a alma
te trás a tona
de seu próprio oceano,
preenche tua vida
enche teus pulmões de ar
você respira
renasce
num parto sem dor
puro e limpo
como o princípio do mundo
antes de Adão e Eva

e você se basta
ali, quieto, sozinho
sorrindo
deitado na areia molhada
olhando a lua…

buscando a lua

Ainda no espírito da anterior, escrevi essa também, no mesmo dia.
Fica flagrante que aqui estou mais furioso, o animal figurativo é o lobo; um animal com o qual me identifico muito, devido á sua independência, força e autonomia; meu estado de espírito é mais selvagem e solitário; como um lobo de florestas densas e estepes imensas; pois desloquei minha raiva para paisagens inóspitas, mais agrestes e sem fronteiras, numa vontade intensa de me livrar de tudo o que me afligia e limitava naquele momento...



uive
como um lobo solitário
correndo solto
louco
livre
nas pradarias
vales
florestas
abismos do mundo…
alguém vai te ouvir
mesmo que á longa distância
e vai se arrepiar
sentir um vento gélido
percorrer a espinha
e vai saber
que ali existe algo
que não vale a pena encontrar
conhecer
só temer

essa distância
te basta
te realiza
e você sabe
que a partir desse momento
ninguém vai se aproximar
pra fuder tua alma
te capturar
te enganar
te estrupiar

essa solidão
te coloca
frente a frente
com você mesmo
um cão vira-latas
um vagabundo
uma fera
correndo livre
um homem inteiro
no alto de uma colina
com os olhos brilhantes
buscando a lua...








20 maio, 2005

E N C O N T R O S






Paul Auster é, no momento, o meu autor predileto (meu e de milhares de pessoas, claro!). Sua linguagem crua e rebuscada, cheia de simplicidade, nos trás à tona de nós mesmos, de nossos conflitos, nossas dúvidas e certezas. O prazer de ler suas obras permeia cada frase, cada situação, cada labirinto cheio de mistério que nos arrasta até o final da narrativa.




Dele já li “A trilogia de Nova York” e “Noite do oráculo" do qual tirei o texto abaixo, que ele inseriu no rodapé das páginas, como se fossem notas do “autor” descrevendo acontecimentos de sua vida pessoal.




Atualmente estou lendo A invenção da solidão – uma espécie de autobiografia onde ele reencontra a figura paterna e revisita a infância após a morte do pai – e “Pensei que meu pai fosse Deus”, uma coletânea de pequenas histórias escritas por cidadãos americanos comuns (leia mais detalhes no post “Mesa para dois”, do dia 14 de Maio 2005).


"Era janeiro de 1979, não muito depois de eu ter terminado meu segundo romance. Meu primeiro romance e um livro de contos anterior haviam sido publicados por uma pequena editora em São Francisco, mas então eu havia me mudado para uma casa maior e mais comercial em Nova York, a Holst & McDermott. Umas duas semanas depois de eu ter assinado o contrato, entrei na sala para ver minha editora e em algum ponto de nossa conversa começamos a discutir idéias para a capa do livro. Foi então que Betty Stolowitz pegou o telefone de sua mesa e me disse: "Por que não chamamos Grace aqui e vemos o que ela acha?" Grace trabalhava no departamento de arte da Holst & McDermott e tinha recebido a tarefa de desenhar a sobrecapa de Auto-retrato com irmão imaginário - que era como se chamava o meu livrinho de caprichos, divagações e tristezas de pesadelo.

Betty e eu continuamos conversando mais uns três ou quatro minutos, e então Grace Tebbets entrou na sala. Ficou ali durante uns quinze minutos e, quando saiu e voltou para sua sala, eu estava apaixonado por ela. Foi assim abrupto, conclusivo, inesperado. Tinha lido sobre essas coisas em romances, mas sempre achei que os autores exageravam no poder de um primeiro olhar - aquele momento incessantemente narrado em que um homem olha dentro dos olhos de sua amada pela primeira vez. Para um pessimista nato como eu, era uma experiência absolutamente chocante. Senti que estava sendo jogado de volta ao mundo dos trovadores, revivendo alguma passagem do capítulo inicial de Vita Nuova (...quando a gloriosa Senhora dos meus pensamentos tornou-se manifesta aos meus olhos), habitando aqueles velhos tropos de mil sonetos de amor esquecidos. Queimava. Ansiava. Definhava. Emudeci. E tudo isso me aconteceu no mais sem graça dos lugares, debaixo do brilho fluorescente de uma sala de escritório do final do século XX - o último lugar da terra onde se pensaria tropeçar na paixão da vida de alguém.


Não há como explicar um acontecimento desses, não há razão objetiva para explicar por que nos apaixonamos por uma pessoa e não por outra. Grace era uma mulher bonita, mas mesmo naqueles primeiros segundos tumultuosos de nosso primeiro encontro, quando apertei sua mão e observei enquanto se acomodava em uma cadeira junta à mesa de Betty, pude ver que não era excessivamente bonita, não como uma daquelas deusas estrelas de cinema que deixam a pessoa tonta com sua perfeição. Não há dúvida de que era atraente, marcante, agradável de se olhar (seja qual for a definição desses termos), mas mesmo sendo feroz minha atração, eu sabia que era mais do que apenas atração física, que o sonho que eu estava começando a sonhar era mais que uma onda momentânea de desejo animal. Grace me pareceu inteligente, mas à medida que a reunião foi rolando e a ouvi falar de suas idéias para a capa, compreendi que não era uma pessoa tremendamente articulada (hesitava muitas vezes entre idéias, limitava seu vocabulário a palavras pequenas, funcionais, parecia não ter nenhum dom de abstração), e nada do que disse aquela tarde foi particularmente brilhante ou memorável. Além de fazer algumas observações simpáticas sobre meu livro, não deu nenhum sinal que sugerisse estar mesmo que remotamente interessada em mim. E, no entanto, ali estava eu em um estado de máximo tormento - queimando e ansiando e definhando, um homem colhido nas malhas do amor.
Ela media um metro e setenta e pesava sessenta e dois quilos. Pescoço esguio, braços longos e dedos longos, pele clara e cabelo curto, louro opaco. Aquele cabelo, percebi depois, tinha alguma semelhança com o cabelo dos desenhos do herói de O pequeno príncipe - tufos espetados lisos e cacheados - e talvez a associação enfatizasse a aura um tanto andrógina que Grace projetava. As roupas masculinas que estava usando aquela tarde devem ter desempenhado seu papel ao criar a imagem também: jeans preto, camiseta branca e uma jaqueta de algodão azul-clara. Uns cinco minutos depois de começada a reunião, tirou a jaqueta e arrumou nas costas da cadeira. Vi então os seus braços, aqueles braços dela, longos, lisos, infinitamente femininos, e entendi que não haveria descanso para mim enquanto não conseguisse toca-los, enquanto não tivesse o direito de pôr as mãos em seu corpo e desliza-las por sua pele nua.
Mas eu queria ir mais fundo que o corpo de Grace, mais fundo que os fatos incidentais de sua pessoa física. Corpos contam, claro - contam mais do que estamos dispostos a admitir - mas não nos apaixonamos por corpos, nos apaixonamos um pelo outro, e mesmo que muita coisa se limite a carne e ossos, há também coisas que não. Todos sabemos disso, mas no minuto em que vamos além de um catálogo de características e aparências superfíciais, as palavras começam a nos faltar, a se desmanchar em confusões místicas, em nebulosas e irreais metáforas. Alguns dizem que é a chama do ser. Outros, a faísca interna ou a luz interior do eu. Outros ainda se referem a isso como o fogo da singularidade. Os termos são sempre oriundos de imagens de calor e luz, e aquela força, aquela essência da vida a que às vezes nos referimos como alma sempre se comunica a outra pessoa pelos olhos. Sem dúvida os poetas estavam certos em insistir nesse ponto. O mistério do desejo começa quando se olha nos olhos da amada, porque só aí é que se pode captar um lampejo do que é aquela pessoa.
Os olhos de Grace eram azuis. Um azul manchado de traços de cinza, talvez um pouco de castanho, talvez um pouco de avelã também, para contrastar. Eram olhos complexos, olhos que mudavam de cor segundo a intensidade e o tom da luz que batia neles em determinado momento, e a primeira vez que a vi aquele dia na sala de Betty, me ocorreu que eu nunca havia encontrado uma mulher que irradiasse tanta compostura, tanta traquilidade de porte, como se Grace, que ainda não tinha vinte e sete anos na época, já tivesse passado para algum estado de ser superior ao resto de nós. Não pretendo insinuar que havia nela algo contido, que pairava acima das circunstâncias com um beatífico olhar de condescendência ou indiferença. Ao contrário, ela esteve bem animada durante toda a reunião, riu com prontidão, sorriu, disse todas as coisas adequadas e fez todos os gestos adequados, mas por baixo do compromisso profissional com as idéias que Betty e eu estávamos lhe propondo, senti uma surpreendente ausência de conflito interno, um equilíbrio mental que parecia isola-la dos conflitos e agressões da vida moderna: insegurança, inveja, sarcasmo, a necessidade de julgar ou diminuir os outros, a insuportável e escaldante dor da ambição pessoal. Grace era jovem, mas tinha uma alma velha e calejada, e sentado junto dela naquele primeiro dia no escritório da Holst & McDermott, olhando em seus olhos e estudando os contornos de seu corpo magro e anguloso, foi por isso que me apaixonei: pela sensação de calma que a envolvia, o silêncio radiante que queimava ali dentro."

SITE DO AUTOR: http://www.paulauster.co.uk/

Pandemônio Paixão

existe o encontro
existe o mistério do olhar
existe a alegria simples
das descobertas
da magia em comum
buscando pontos de contato
sinergia do asfalto
doce desconhecido

idéias cultuadas
sentimentos cultivados
gostos descortinados
buscas carinhosas
expostas
olhos nos olhos
confissões, segredos, sedução
faiscam no ar

almas se unem
espíritos comemoram
corpos se arrepiam
atraídos pela emoção
efervescência, tesão;
paixão destrambelhada
delírio, ilusão, vendaval
intensidade ressoa
perfume no ar
suavidade pessoa

a descoberta da mulher,
da musa,
da amante,
da cúmplice,
da companheira ideal

verborragia de palavras
tempestades de emoções
ciclone de energia
corpos em danças tribais
de acasalamento
suor, fluidos, orgasmos
excitação, calor
furacão turbilhão

atropelando limites,
admiração recíproca
desfrutando a beleza
seduzindo a sutileza
abrindo abismos
de silêncio
ilusão
destemor

medo da paixão - doce embriaguez
medo da força
medo do brilho
medo do calor
medo do sol
medo de mim
medo do meu olhar voraz
meu coração beat acelerado
minhas emoções incendiárias
você...

quem é você?
achei que tivesse te decifrado
mas teu silêncio insinua que me enganei

sou deportado
mais uma vez
jogado num mundo

já meu velho conhecido,
dos degredados da paixão
labirinto dos seres
enredados em sua própria ilusão
onde somente a tristeza e a solidão
me farão companhia
com a tênue luz
de sua lembrança
assombrando minha alma vazia

- escrito ás 4h de alguma madrugada,

em mais uma noite insone,
especialmente para você,
num prenúncio de minha queda
em mim mesmo...
seu silêncio derrotou
minha alegria de ter te conhecido

19 maio, 2005

A DETERMINAÇÃO

A DETERMINAÇÃO
É A CONEXÃO
ENTRE A ALMA
E O UNIVERSO...

Eu sou um homem fechado.


O mundo me tornou egoista e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.

Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos...

E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender nada,
numa alegria atônita...

A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos.

Mario Quintana

14 maio, 2005

mais um dia...

traçando meu destino, seguindo diretrizes projetadas e redesenhadas diariamente por mim mesmo; com o auxílio luxuoso de minha consciência, essa nobre alma depositada aqui dentro por algum Arquiteto generoso, que se dispôs á procurar um lugarzinho bem aconchegante dentro desse organismo e faze-la ter uma dinâmica própria, um ponto-de-vista privilegiado, com uma ânsia de conhecimento e de viver além de todos os limites humanos.
Tá certo que tenho todas as falhas que acometem cada ser desse planeta, cometo os mesmos erros de todos, mesmo porque é com eles que aprendemos á acertar cada passo e compasso. Afinal, como diz Shakespeare, através da fala da ama de Julieta em seu mais famoso romance: "é caindo que aprendemos á nos levantar..."

Memórias do Espelho {versão #3}

Olhos nos olhos
fito a alma translúcida
oculta,
mártir da dor

tímida
medrosa
entristecida
encolhida
rejeitada por mais uma
que amou

atrás,
fazendo papel de cenário,
uma imensa muralha de edifícios,
a grande cidade
labirinto humano,
testemunha cega
de sacrifícios e doações inúteis
como gotas d’água no oceano

Os sentidos se perdem,
sensibilidade zero
como auto-proteção,
a alma flutua
perdida no vácuo

de mais uma mentira,
vitima de si mesma,
que acreditou ter encontrado uma outra alma
que não era tão idêntica assim

ilusões,
miragens de quem tem sede
de almas nobres;
perdido, solitário, carente
no deserto de almas pobres

o reflexo no espelho
é mais realista que o homem,
que lamenta a idiotice,
a farsa engendrada
armada e atuada em monólogo
com seus próprios botões
- mas cá entre nós: botões têm ouvidos?

A fúria e a melancolia
não vão trazer de volta
a ilusão que se perdeu,
no tempo e no espaço,
entre os edifícios,
solta no anonimato
das multidões sem rosto,
solitárias,
de alegrias fáceis,
consumidoras de ilusões
que desvanecem na alma,
perdulárias de emoções baratas.

O reflexo
olha pro fundo em meus olhos,
nada diz,
mas seu silêncio cala
meus lamentos,
acalma minha alma,
me impulsiona
para fora de mim mesmo,
expulsa o egoísmo latente,
me purifica das mentiras,
me diz,
faz-me sentir
que ninguém,

por mais interessante,
mais apaixonante que seja,
deve ter a capacidade
de me transtornar,
de dominar meu espaço,
de embaçar o meu reflexono espelho...

pedaços de pensamentos

a minha cumplicidade com a noite
o dia vem e desnuda...

todos nós temos que renunciar
á alguns sonhos
que não querem nos pertencer...

GOSTO DE FICAR NA MULTIDÃO
POIS NO MEIO DELA
ME TORNO INVISÍVEL

EU GOSTO DE PESSOAS INTEIRAS,
INTENSAS COMO A VIDA;
SEM MÁSCARAS E HIPOCRISIAS,
QUE TE OLHAM NOS OLHOS
E ENXERGUAM TUA ALMA
COMO ELA REALMENTE É...

(homenagem á Maria Luiza Mendonça e Giulia Gam)

EXPULSE TUA ALMA

TODA VEZ QUE ELA TE TRAIR,
TE ENGANAR
TE TRIPUDIAR

NÃO DEIXE QUE ELA TE FAÇA REFÉM
DE SEUS CAPRICHOS
DE SUAS PAIXÕES E ILUSÕES TOLAS

NÃO PERMITA QUE ELA
DESPERDICE TEU PRECIOSO TEMPO
COM SENTIMENTOS PUERIS
EM CONFLITO PERMANENTE COM A RAZÃO

NÃO DEIXE ESPAÇOS VAZIOS
QUANDO RETIRAR SUA ALMA
DE DENTRO DE VOCÊ
PARA QUE ELA NÃO RESSURJA
DO NADA.

Á CADA VEZ QUE ELA SE APAIXONA
SEM TE CONSULTAR;
ELA TE TRAI,
TE ENGANA
ZOMBA DA COISA MAIS IMPORTANTE
DE SUA VIDA
DE VOCÊ
DA SUA CAPACIDADE
DE RACIONALIZAR
ADMINISTRAR
REALIZAR CADA MOMENTO
DE SUA EXISTÊNCIA
SEMPRE INDEPENDENTE
DE QUALQUER FATOR EXTERNO

VOCÊ DEIXA DE SER
EXATAMENTE O QUE É
PARA SER OUTRO ALGUÉM
QUE VOCÊ MAL CONHECE
E NEM SABE ATÉ QUE PONTO
ESSE OUTRO VAI QUERER SER VOCÊ...

MESA PARA DOIS

by Lori Peikoff
Los Angeles, Califórnia

Em 1947, minha mãe, Deborah, tinha 21 anos e estudava Literatura Inglesa na Universidade de New York. Ela era linda – impetuosa e introspectiva ao mesmo tempo -, com uma grande paixão por livros e idéias. Lia vorazmente e esperava tornar-se escritora um dia.
Meu pai, Joseph, era um candidato a pintor que se sustentava dando aulas de arte num colégio de West Side. Aos sábados, pintava durante todo o dia, em casa ou no Central Park, e se dava ao luxo de jantar fora. Na noite de sábado em questão, ele escolheu um restaurante das vizinhanças chamado Via Láctea.
Acontece que o Via Láctea era o restaurante predileto de minha mãe e naquele sábado, depois de estudar durante todo o dia, ela foi lá para jantar, levando consigo um exemplar usado de “Grandes Esperanças”, de Dickens. O restaurante estava cheio e ela conseguiu a última mesa, sentou-se para uma noitada - de goulash, vinho tinto e Dickens -, e logo perdeu o contato com o que acontecia ao seu redor.
Dentro de meia hora, o restaurante estava cheio de gente esperando mesa. A recepcionista, esbaforida, perguntou à minha mãe se ela se importaria de dividir a mesa com outra pessoa. Quase sem tirar os olhos do livro, minha mãe concordou.
“Uma vida trágica para o pobre Pip”, disse meu pai quando viu a capa esfarrapada de “Grandes Esperanças”. Minha mãe olhou para ele e naquele momento, ela lembra, viu algo estranhamente familiar nos olhos dele. Anos depois, quando lhe implorei para contar uma vez mais a história, ela suspirou docemente e disse: “Eu me vi nos olhos dele”.
Meu pai, inteiramente cativado pela presença dela, jura até hoje que escutou uma voz interior. “Ela é seu destino”, disse a voz, e imediatamente depois ele sentiu um formigamento que foi da ponta dos pés ao topo da cabeça. O que quer que meus pais tenham visto, ouvido ou sentido naquela noite, ambos entenderam que algo milagroso acontecera.
Tal como dois velhos amigos que se encontram depois de muito tempo, conversaram durante horas. Mais tarde, no final da noite, minha mãe escreveu o número do telefone no lado interno da capa de “Grandes Esperanças” e deu o livro para meu pai. Ele disse adeus, beijando-a delicadamente na testa, e em seguida partiram em direções opostas noite adentro.
Nenhum dos dois conseguiu dormir. Mesmo depois de fechar os olhos, minha mãe só via uma coisa: o rosto de meu pai. E meu pai, que não conseguia parar de pensar nela, ficou acordado a noite inteira, pintando o retrato de minha mãe.
No dia seguinte, domingo, ele foi ao Brooklin visitar seus pais. Levou consigo o livro para ler no metrô, mas estava exausto após a noite insone e começou a sentir sono nos primeiros parágrafos. Então enfiou o livro no bolso do casaco – que pusera sobre o assento ao lado – e fechou os olhos. Só acordou quando o trem parou em Brighton Beach, no outro extremo do Brooklin.
O vagão estava vazio e, quando ele abriu os olhos e procurou suas coisas, o casaco não estava mais lá. Alguém o roubara, junto com o livro. O que significava que o número do telefone de minha mãe também se fora. Em desespero, ele procurou por todo o trem, olhando embaixo de cada assento, não somente em seu vagão, mas nos vagões anterior e posterior. No entusiasmo do encontro com Deborah, Joseph, estupidamente esquecera de lhe perguntar o sobrenome. O número do telefone era sua única ligação com ela.
A chamada que minha mãe esperava nunca aconteceu. Meu pai procurou-a várias vezes no Departamento de Inglês da universidade, mas jamais a encontrou. O destino traíra os dois.
O que parecera inevitável na primeira noite no restaurante aparentemente não era para acontecer.
Naquele verão, ambos viajaram para a Europa. Minha mãe foi para a Inglaterra fazer cursos de literatura em Oxford; meu pai foi para Paris pintar. No final de julho, com uma folga de três dias nos estudos, minha mãe voou até Paris, decidida a absorver o máximo de cultura que pudesse em 72 horas.
Levou consigo um novo exemplar de “Grandes Esperanças”. Depois da triste história com meu pai, não tivera coragem de lê-lo, mas então, ao sentar-se num restaurante cheio depois de um longo dia de passeios turísticos, ela abriu a primeira página do romance e começou a pensar nele de novo.
Após ler algumas frases, foi interrompida pelo maître, que lhe perguntou, primeiro em francês, depois em inglês macarrônico, se ela se importaria de dividir a mesa. Minha mãe concordou e retornou a leitura. Um instante depois, ela escutou uma voz familiar.
“Uma vida trágica para o pobre Pip”, disse a voz, e quando ela ergueu os olhos, lá estava ele de novo.

Extraído do livro “Achei que meu pai fosse Deus – e outras histórias verdadeiras da vida americana”, organizado por Paul Auster (Companhia das Letras).
A história desse livro já é, em si mesma, uma narrativa surpreendente. Convidado a fazer um programa mensal numa rede de emisssoras públicas dos Estados Unidos, Paul Auster resolveu pedir aos ouvintes que mandassem suas histórias para serem lidas no ar. Os relatos tinham que ser verdadeiros e curtos, mas não havia restrição quanto ao tema e estilo. (...). Histórias verdadeiras que parecem ficção. Histórias que se recusam a obedecer ao senso comum. (...). A resposta foi espantosa: em um ano, recebeu mais de quatro mil textos. Impossível ler todos no programa como prometido aos ouvintes. A solução foi organizar uma antologia com parte das histórias – e essa que vocês acabaram de ler é uma delas.

13 maio, 2005

NexttimeIseeYou

juro que não sonho mais com isso,
com toda a beleza e a força
das coisas todas que nos envolveram
dessa forma tão espontânea e fluída

juro que nem penso mais
nas impossibilidades das coisas
que me encantam em você,
mas sei que não adianta te dizer isso
quantas vezes for necessário,
assim como eu sei que vc não vai acreditar

álias, algum dia você realmente acreditou
em algo que lhe disse?
E você, quantas vezes já acreditou
em todas as mentiras que inventou para mim?

04 maio, 2005

Audaciosa melancolia...

Não quero que pensem que sou masoquista ao citar tantas vezes a solidão, a auto-suficiência e o prazer em estar sózinho em meu espaço (ou mesmo no meio de uma multidão em festa, num show, numa rave ou na praia lotada, lendo meus livros, minhas revistas, ouvindo minhas músicas e olhando o mar, o céu e as pessoas que passam), essa é minha natureza primária, mas eu adoro pessoas, me envolver com elas, com seus projetos, suas conversas, mesmo que muitas vezes só se fale banalidades; aí é que reside o encanto coletivo, esse mosaico em constante mutação de idéias e palavras. Mas quando estou sózinho, a intensidade me envolve, me concentro nos meus próprios interesses e mergulho no universo e, ao conversar comigo mesmo, tenho a nítida impressão de estar me comunicando diretamente com a essência da Vida.
Então se existe a base de um conceito de Deus que o ser humano criou, a origem é essa: a Vida é essa entidade poderosa que nos proteje e nos pune por nossas ações e reações diárias...

Essa poesia abaixo quem me mandou foi uma amiga maravilhosa,
que gosto muito e que, devido ao alto nível de afinidades, trocávamos muitos emails
falando exatamente da existência, esse mistério que se descortina em nossas mentes
segundo-a-segundo, por isso é tão apaixonante vivencia-la.

Minha força está na solidão.
Não tenho medo nem de chuvas
nem de grandes tempestades soltas,
pois eu também sou o escuro da noite...

- Para Francine Galvão, de Clarisse Lispector


A poesia abaixo fala da solidão de uma forma tão lúdica que me encantou no ato, não resisti e copiei-a do filme "Léolo" - aconselho que o peguem na locadora e assistam. É poesia em movimento:

À senhora...
Audaciosa melancolia...
que, com um grito solitário,
rasgou minha carne...
Que assombra minhas noites
quando não sei o que fazer da minha vida...
Paguei-lhe cem vezes
o que lhe devo.
Com as brasas de um sonho,
só me restam as cinzas
de uma mentira que você mesma
me ensinou á ouvir...
A branca plenitude
que não era como o antigo interlúdio...

Uma perversa morena
de cabelos lisos
que penetrou a pena com que escrevo
e que só me deixou o remorso de ter visto
o dia nascer sobre minha solidão.

21 abril, 2005

EQUÍVOCO

Você é um holograma na minha vida.
Você é uma presença irreal que surge
ao meu lado sempre que tem vontade;
mas jamais pude toca-la
com toda a intensidade que sempre desejei,
nem tampouco pude beija-la
com toda a força arrebatadora da paixão,
que há muito havia me dominado e hipnotizado.

Sempre que tentei,
você se diluía
em sorrisos constrangidos,
falsamente surpresos,
como se não soubesseo que acontecia comigo.

Agora você está onipresente.
Uma presença constante e invisível,
que toca minha alma
de uma forma suave, diáfana,
como se tentasse alcança-la
em todos os momentos de minha vida,
para não deixa-la fenecer lentamente
de paixão não correspondida,
tentando impedir
que os sentimentos que a habitam
não morram com ela.

No fundo, o que eu sinto
te mantém viva,
pois você é um holograma.
E um holograma não passa de uma ilusão.

Se eu te esquecer, acaba a ilusão,
E você desaparece...

...

O ENFURECIDO SUAVE
ABRE SEUS BRAÇOS
E GRITA SUAS POESIAS AO LÉU!!!

NOITE TEMPO ADENTRO

havia sempre um momento
de instabilidade constante
ameaçando aquela solidão...

as noites avançavam sobre seus pensamentos,
que brotavam aos borbotões
feito paisagens vistas
de dentro de um trem desgovernado...

havia sempre movimento,
turbilhões de palavras, imagens e pensamentos
buscando pontos de apoio em algum lugar
naquele imenso espaço inerte,
criando uma teia profícua,
iluminada somente pela luz da lua cheia...

longos momentos,
contemplativos, silenciosos e profundos
ás vezes caóticos, rasos e dispersos,
procuravam uma conexão
com o mundo tumultuado
de milhões de almas solitárias,
atribuladas e barulhentas
como matilhas de lobos no cio,
invadindo a noite tempo adentro,
numa busca ensandecida e incessante
por outros solitários de alma nobre...

tudo o que ele encontrava
no final dessas noites
era o inicio do dia.
E todos os dias,
mal surgia o sol, ele sempre olhava para fora da janela
e dizia:

- BOA NOITE, CHINA!!!

PASSEANDO NOS BLOGGS

Hoje resolvi visitar os bloggs vizinhos, principalmente os links da Isadora <http://www.silenciosa.blogspot.com/>, que me trouxe até aqui e me inspirou fazer meu próprio blogg. Adoro a forma como ela escreve seus posts, a forma direta e crua, quase uma ópera seca, essa objetividade poética me deixa á vontade e com vontade de ter essa característica, mas infelizmente não consigo ser tão urbano e urgente assim, tenho uma tendência meio melosa que não gosto muito, mas estou levando as palavras com posso até alcançar um ponto certo, quem sabe um dia descortino essa forma mais ácida de descrever minhas emoções e sensações?

O primeiro link que entrei foi o do andarilho <http://www.cartasparaela.blogspot.com/>, onde me esparramei em suas poesias, as quais me identifiquei com três: "Quero", "distância" e "sobre seu umbigo" devido ao meu estado intenso de paixão que me encontro por uma mulher que mora muito longe e que preenche meus dias e pensamentos com sua presença indelével e extasiante, mesmo que ela não queira mais nada comigo. Ficou a tatuagem na alma, na mente, na pele, no corpo, no tesão constante que me domina e me leva à lembranças dos prazeres que nos envolveu e nas fantasias dos prazeres que poderiam ter nos unido para sempre.

Mas como em cachorro morto não se dá chutes, sigo em frente, compensando o vazio dessa paixão com coisas mais consistentes, como cultura, arte e pessoas instigantes. Então cheguei no blogg de Jay <http://www.asaventurasdajay.blogger.com.br/> e lí o post "Lucy in the sky with diamond". Me envolvi totalmente na história, assim como ela foi seduzida pela beleza exótica de Lucy.
Nós homens sempre temos fantasias á respeito de duas mulheres transando, seja desejando ou fantasiando participar ou só ver uma trepada dessas, mas nunca teremos sensibilidade suficiente para alcançar a suave intensidade que cerca esse ritual. Eu até já namorei algumas garotas bi, já beijei e acariciei duas ao mesmo tempo, mas somente ao ler esse post eu tive uma sensação de estar dentro do corpo da Jay, sentir e chegar ao orgasmo junto com Lucy, e esse foi um momento que me senti suave, completo, querendo sentir, tocar da mesma forma, nesse exato momento um corpo deliciosamente quente, arrepiado e totalmente envolvido e entregue ao prazer. Mas eu estava só... e sonhei com os olhos azuis de Lucy.

19 abril, 2005

Noites Insones, Noites Insanas, Noites Sem Fim...

Essa é a primeira noite de todas as longas horas em que passeio dentro de mim, quando, depois de cansar de mim mesmo, saio para fora, em busca do que fazer, com quem fazer; sem medo e sem rancores, mágoas nunca me fizeram bem, mesmo que as feridas sejam profundas e dolorosas...
Revisito minhas fantasias prediletas, minhas lembranças mais intensas (e as menos intensas também), busco as pessoas mais queridas, entro em seus sonhos e as levo para as aventuras mais incríveis e inimagináveis...
Quem sabe noite dessas eu te visito e te pego pelas mãos e voamos para teu planeta predileto, só para conferir se ele realmente é igual ao que vc imagina?
É só esperar...
Estou no ar, solto, em busca de mentes brilhantes para me fazer companhia nessas noites insones, noites insanas, noites sem fim...

18 abril, 2005

Delirando

Devia estar entrando em extâse zen no final da postagem anterior!
- "te pego pelas mãos e voamos para teu planeta predileto, só para conferir se ele realmente é igual ao que vc imagina?" BLEARG!! te digo que as vezes endorfino demais, de graça, aí vem essas imagens viajandonas... deve ser resquício das doses de ácido lisérgico que andei tomando na adolescência... Taí uma explicação plausível, pode ser...
Mas minhas noites sempre são assim, ás vezes pairo sobre mim mesmo e procuro o que há de se fazer com o tempo que não para de passar por mim, pelo mundo em silêncio, com as almas que dormem e com as almas que conversam em silêncio consigo mesmas, mas que jamais se encontram, porque as sombras que nos oculta é tão intensa quanto o silêncio que nos cerca, e nossos sentimentos tão densos quanto a escuridão da noite que nos protege...